Palco com Sotaque


Andreia Mota nasceu para cantar e encantar. Começou a cantar aos 9 anos numa Igreja e nunca mais parou: a sua voz doce, quente e as suas canções cheias de poesia chegaram a Portugal,  depois de uma ascensão meteórica no panorama musical brasileiro.

Falamos com ela durante a promoção do seu novo Disco no nosso país. Leia esta entrevista com Sotaques e muito amor pela música.

P- É a primeira vez que está em Portugal para promover o seu novo Disco . Que expectativas tem em relação à passagem pelo nosso país ?

 R - É a primeira vez.  Venho acompanhada pelo  Diretor musical Victor Ribeiro  para divulgar meu novo trabalho “Paisagem Invisivel” e  espero voltar mais vezes  com Concertos e espetáculos em Portugal. 


P- Conhece a música portuguesa ? Há algum grupo ou cantor português que admire ?  

R - A maior referência que tenho é o Fado cantado por Amália Rodrigues, também gosto muito da cantora Maria João.   pouco tempo  ouvi a cantora Carminho,   e  achei  linda  a voz   e   capacidade de interpretação dela .


P- Começou a cantar aos 9 anos numa Igreja. Sentiu desde menina um desejo de ser cantora ? 

R - Nunca me vi a fazer  outra coisa:  na Escola sempre  se referiam a mim como “ a cantora”, pediam que cantasse  nos intervalos sempre que me encontravam.

 Apesar de muito tímida,  adorava cantar para as pessoas, fechava os olhos e cantava : era mais fácil me ver-me a cantar  do que a falar. Quando chegou a época do Vestibular, em que tinha  de  escolher uma profissão,  ainda não tinha consciência  de que esta seria a minha profissão.   Pensei em tirar Cursos como  história, jornalismo, fotografia, mas nada disso fazia sentido para mim. No fundo eu sabia o que queria. Acho que não conseguiria fazer outra coisa da vida.

P- Na sua biografia consta que fez Teatro e que foi, simultaneamente,  actriz e cantora no espetáculo " Raul fora da lei" que homenageava o cantor Raul Seixas. O que significou para si essa experiência ? 

 R - Esse espetáculo foi onde tudo começou para mim e julgo  que não  podia  ter começado melhor! Fiz esse   trabalho durante seis anos da minha carreira, ao lado do ator e diretor Roberto Bomtempo, por quem nutro  uma  profunda admiração.

Cantar e atuar simultaneamente  despertou ainda mais o  meu interesse pelo Teatro,  e foi então que decidi fazer  a Faculdade de Artes Cénicas, que foi uma  experiência   libertadora.

Foi uma espécie de  divisão  de águas, um momento de definição. Costumo dizer que entrei na Faculdade uma e saí “outras”,  já que vivi muitas transformações importantes ao longo do Curso.

 Hoje o  meu trabalho de cantora é inseparável  do de atriz:  inclusive, na conclusão do curso de teatro, a  minha pesquisa  foi baseada justamente nesse diálogo entre o canto e atuação.

Resumindo : a  ideia era “atuar” a música Flor voadeira (Marcelo Fedrá, Renato frazão e Lucas Daim)  e “cantar”o texto de Alessandra Gelio, diretora e dramaturga carioca,  que colaborou muito com a  minha pesquisa e que hoje dirige, com imensa sensibilidade,  o espetáculo “Paisagem Invisivel”.

 Na ocasião da pesquisa,  a grande brincadeira era “atuar” a música e “cantar” o texto. Mas para ver como se deu este  cruzamento terão de assistir  ao espetáculo inteiro (risos)

P - Como se definiria como cantora ? 

R - Acho que sou uma pessoa aberta a  possibilidades, por isso  defino-me não apenas  como cantora,  mas como artista.

 Para mim,  um artista é aquele que lida com o impalpável, que quer tornar visível  aquilo que falta...a música é uma forma de materializar o que eu chamo a    “paisagem invisível”.

Sei que isto não me   define como  cantora,  mas com certeza é o que  me motiva   a cantar e atuar hoje em dia.
 
P- O Sotaques é um Projeto cultural que aposta no aprofundamento das relações entre os artistas e criadores portugueses e brasileiros. A Andreia sente que essa aproximação entre a cultura portuguesa e brasileira é essencial para os dois povos ? 
 
R - Acho que não só o Brasil e Portugal,  mas todos outros países de  Língua Portuguesa  acabam por sentir esta necessidade de aproximação, ao perceber que temos muitas semelhanças e diferenças ao mesmo tempo,  cada país tem as  suas peculiaridades  e  influências.  Essa  troca só pode  acrescentar e fortalecer as  nossas respectivas  Culturas.

Estamos a conhecer-nos melhor  ao reconhecer  quais são as nossas semelhanças e diferenças.
 
P - Quais são os seus Projetos para 2012,  a nível de agenda e espetáculos,  no Brasil e noutros países  ? 
 
R - Temos propostas para voltar para Europa para fazer a Digressão  do “Paisagem Invisivel” a partir de Abril,  e espero fazer muitos espetáculos.  No Brasil vamos atuar  não só no   Rio de Janeiro como em  São Paulo e  Minas Gerais.

Autor: Rui Marques